sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Carta Missionária (IDA)



Amados,

Graça e Paz!

Finalmente cheguei a Nampula!!!
Antes, foram 39 em Maputo, capital de Moçambique apenas para tirar documentos, autorizações, vistos, registros, etc. . Nem pensem em reclamar da burocracia existente no Brasil. Só no Ministério da Saúde visitamos e protocolamos documentos em quase todos os andares do prédio. Tudo isso para descobrir que todos os documentos que comprovam que eu completei o nível superior não tinham validade se não fossem acompanhados pelos documentos de conclusão do segundo grau. Isso significou pelo menos duas semanas de espera com mais xerox, mais autenticações etc...
Durante esse período, o equipamento chegou e também obtivemos a autorização para a entrada dos medicamentos no país. Glórias a Deus!
Durante esse tempo de espera, pude conhecer a cidade, entender um pouco da história de Moçambique e do povo, conhecer lugares importantes e, claro, visitar alguns trabalhos de missionários brasileiros que já estão aqui há algum tempo.
O povo moçambicano é um povo em geral muito receptivo, e apesar de sua história sofrida, é um povo que aos poucos vai recuperando a auto-estima e o senso de patriotismo. Vi muita coisa bela, lugares bonitos, mas também vi que ainda há muito por fazer...
Uma das coisas que mais me chamou a atenção em minha estadia em Maputo, foi a união dos missionários brasileiros que trabalham lá. Todo domingo almoçávamos juntos como uma grande família para compartilhar sobre o trabalho missionário e, claro, dar boas risadas e quando possível tomar um bom café brasileiro (o daqui é misturado com chicória) !!
Nampula é uma cidade pequena, com uma grande população de indianos muçulmanos, que detém o poder econômico da região. Todo o comércio está nas mãos deles e os moçambicanos geralmente têm empregos informais como vender produtos das lojas dos indianos nas ruas da cidade. Resultado: onde quer que a gente pare o carro, tem sempre um vendedor ambulante e vende-se desde comida até cortador de unhas.
Tivemos uma recepção de boas vindas preparada pelos missionários daqui e, no domingo fomos visitar a Igreja de Cristo onde o pastor Cléber e a missionária Juracema tem um trabalho no bairro mais muçulmano de Nampula. No terreno funciona uma escola e um internato para jovens. Foi emocionante ouvir todo o louvor na língua Macua, ouvir o povo dizer que orou por minha chegada, mesmo não me conhecendo e receber laranjas como ofertas dos irmãos!
Visitei com a Ione algumas pessoas que são fruto do trabalho missionário que ele desenvolve aqui. Achei interessante que quando se chega pela primeira vez a uma casa, recebe-se de presente uma capulana, que é o tecido que as mulheres usam como saia, e na hora da refeição as anfitriãs oferecem uma bacia com água para lavarmos as mãos.
Na próxima semana estarei sendo apresentada ao Diretor Provincial de Saúde da Cidade. Só então iremos planejar como iniciar o trabalho. Orem por isso!
Orem também por minha adaptação à língua e costumes da cidade e para que os medicamentos possam chegar em segurança como chegaram os equipamentos.

Agradeço a Deus pelos irmãos e irmãs que tem orado por nosso trabalho aqui em Nampula e por todos que estão envolvidos direta ou indiretamente com a Missão Betesda em Moçambique.
Deus os abençoe
Ida Regina T. Carvalho, em Nampula (finalmente!)

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